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pergunta:

"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

26.1.18

O Brasil precisa de um projeto de nação

João Pedro Stedile: O Brasil precisa de um projeto de nação

Para o economista, militante do MST e da Frente Brasil Popular, a saída da crise é um novo projeto para o país, que será decidido nas urnas

24/01/2018 - 03h30min

Há uma grave crise no Brasil. A falta de crescimento econômico é somada à desindustrialização e estagnação dos investimentos produtivos. A economia está refém do rentismo financeiro, lugar da prática das mais altas taxas de juros do mundo. Voltamos a ser um país agroexportador, dependente de commodities agrícolas e minerais.

Essa situação econômica produziu uma crise social, com o aumento do desemprego e a falta de moradia. Os(as) trabalhadores(as) sofrem com a violência nas grandes cidades, resultado do agravamento dos índices de desigualdade social. Apenas seis grandes capitalistas do Brasil ganham mais do que os 102 milhões de brasileiros mais pobres.
 
A crise política é resultado dessa conjuntura. O golpe, com a deposição de um governo legítimo, objetivou o controle de todos os poderes para que a burguesia tomasse as medidas legislativas e econômicas que jogam o peso da crise econômica sobre a classe trabalhadora.

O golpismo atua neste cenário. A Operação Lava-Jato, que visava a apenas investigar casos de corrupção da Petrobras, fugiu dos rigores da lei e da Constituição para servir a interesses não explicados do capital estrangeiro e das empresas transnacionais estadunidenses. Teve como missão inviabilizar quase todas as empresas de construção civil; levou à falência as empresas da indústria naval, inclusive as que operavam em Rio Grande. Entregou o pré-sal a empresas estrangeiras.

Agora, a Lava-Jato serve para consolidar o golpe, através do impedimento da candidatura de Lula. Trata-se de um processo manipulado, sem provas, que conta com parte do Judiciário e com a ajuda da mídia, principalmente a Rede Globo. Esse processo não é judicial! É uma tentativa de impedir que os trabalhadores, 85% da população, tenham candidato. Lula não é mais candidato do PT. Lula representa toda a classe trabalhadora.

A burguesia, apenas 1% dos brasileiros, tem que parar de fazer teatro midiático e judicial. Escolham seus candidatos e disputem ideias com o povo! A saída da crise é um novo projeto para o país, que será decidido nas urnas. Não em tribunais, por meia dúzia de plutocratas.


Artigo publicado em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/opiniao/noticia/2018/01/joao-pedro-stedile-o-brasil-precisa-de-um-projeto-de-nacao-cjcs6pg9d03p401phj22gddm4.html


Para um olhar histórico e crítico do “julgamento” de Lula, por Pedrinho Guareschi

Para um olhar histórico e crítico do "julgamento" de Lula

Pedrinho Guareschi*

Foto: Ezequiel Milicich Seibel - https://goo.gl/bTGVdJ

Rezei e meditei um bocado e peço licença para dizer isso. Não aceitem, mas se isso puder ajudar a pensar, já está ótimo. A melhor análise do fato histórico de ontem, para mim, é o que Samantha Torres me mandou: "No julgamento mais importante da história do país, uma senhora negra serve café para três homens brancos, os quais julgarão um retirante nordestino. Se não entenderem o simbolismo disso, jamais entenderemos esse país".

Gente, o Lula PRECISAVA ser condenado! Seria absoluta falta de lógica o Judiciário não garantir a hegemonia absoluta da Casa Grande. Eu ainda pensava que alguém do Judiciário teria condições de ter a capacidade crítica de ir um pouco além, e ver que o que estava sendo julgado não era o Lula, mas todo um projeto de resgate da desigualdade brasileira de 500 anos. Mas nada! Como muito bem diz Lula, sempre que fala: eles querem garantir esse "complexo de vira-lata" que ainda nos mantém escravos! É preciso incutir neles medo para que não se organizem. Sim, a mulher negra servindo cafezinho é a MATERIALIZAÇÃO da desigualdade que se mantém inalterada e firme: a Casa Grande e a Senzala. Como clarissimamente postou o Frei Betto, quem foi julgado ontem foi o Judiciário! Vocês perceberam que sintonia perfeita? Já não dava para aguentar os "auto-elogios" recíprocos. Impressionante!

Para quem analisa isso criticamente, percebe que eles estão inseguros! Precisam se auto-legitimar! Percebem que lhes falta o pé (a lógica, como provou Mance). Então se trancam em análises minuciosas e ridículas, mil suposições e induções, pois não conseguem mostrar de onde veio o dinheiro! Então SUPÕEM que veio do Lula! Teve até um juiz que começou a falar, numa retórica fenomenal, citando a Constituição, que diz que o Presidente é o primeiro mandatário da nação e... foi seguindo assim, concluindo: então, houve corrupção passiva! Lembrei-me do Papa Francisco comentando que até Jesus Cristo, tinha entre seus doze um "que levava a bolsa..." e que aprontou. Esse juiz, nessa linha de ideias de que quem está à frente é responsável por tudo (vejam, esse é um dos dois grandes crimes de Lula!), não deixaria o Nazareno escapar! Isso não é ridículo? Se houvesse provas de que Lula chamou o fulano e disse: "desvie, roube!", tudo bem. Mas isso não apareceu. Só suposições e convicções.

Basta de práticas assim tão ridículas! E os elogios vão até aquele que produziu essa "sentença anunciada", como mostraram os mais de 100 juristas no livro que analisa essa peça. Nem um comentário sobre isso. Eu fico pensando: Meu Deus, mas será que essa sentença foi tão clara e perfeita que não pode haver um mínimo de divergência? E dê-lhe elogios, num narcisismo recíproco de espantar! Que pensamento único fantástico! Assim, de fato, é impossível uma consciência crítica, muito menos de si mesmo... Mas se não for assim, como vai ficar seu auxílio moradia e outros inúmeros privilégios? Que vergonha, meu irmão…

Mas estou percebendo algo esperançoso: essa Casa Grande está abalada, está fazendo água! Eles estão percebendo. E por isso precisam estancar qualquer tentativa de mudança! No início desse século a senzala tentou levantar a cabeça... foram 4 eleições que incorporaram 40 milhões de excluídos! Então se decidiu que era tempo de estancar essa ameaça! Logo depois da 4ª. eleição, em 2014, a elite decretou: "Não vai mais governar!" E toda a elite, com medo de perder os privilégios, começou a guerra: a câmara, comandada por Cunha, impossibilitou qualquer projeto, escancaradamente! E depois de impedir de governar, a cassaram. Então exultaram! Dilma já estava fora. E estão se esbaldando fazendo mudanças e saqueando o país. Mas surge outro perigo: há alguém com mais de 30% de aceitação. Então precisa acabar com ele, esse retirante que pretende invadir o solar da Casa Grande. Foi então marcado para morrer e sobre ele caíram todos os possíveis pecados do Brasil. Não se fala em mais ninguém. É ele o perigo. E está sendo apedrejado para que não levante mais a cabeça. Cai fora, intruso!

Mas ninguém consegue dominar a todos, nem o tempo todo. Os pobres e oprimidos desse país, e TODOS OS QUE LHES SÃO SOLIDÁRIOS, se dão conta desses crimes escandalosos, mas despudoradamente escondidos, ou mistificados, pela serva fiel e submissa: a Grande Mídia, que faz o impossível para legitimar e justificar tantas injustiças e privilégios.

Não nos iludamos: os milhares de brasileiros que se mobilizaram nesses dias, são um sinal de esperança que a vida tem sentido quando colocada a serviço dos perseguidos e injustiçados. E para terminar: eu gostaria de poder adivinhar o que uma mulher negra, servindo cafezinho a 3 brancos que estão julgando um retirante nordestino, estaria pensando disso tudo.


Publicado no perfil pessoal facebook de 

Pedrinho Guareschi, em 25/01/2018.
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* Pedrinho Guarechi é graduado em Filosofia, Teologia e Letras; pós-graduado em Sociologia; mestre e doutor em Psicologia Social; pós-doutor em Ciências Sociais em duas universidades (Wisconsin e Cambridge); pós-doutor em Mídia e Política na Università degli studi 'La Sapienza'; professor na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul); seus estudos, pesquisas e experiências focalizam a Psicologia Social com ênfase em mídia, ideologia, representações sociais, ética, comunicação e educação; conferencista internacional.

Comunicação: democrática? Pra quem?

Comunicação: democrática? Pra quem?


7.6.2011


Débora Nonemacher

informação é uma liberdade fundamental e um direito fundamental de todo ser humano. E é tão fundamental (com o perdão da repetição necessária), que é instrumento para as demais liberdades. É assim que ela é vista no artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, que, por sua vez, não é um mero documento protocolar - é compromisso, ou seja, todas as nações que integram a ONU se comprometem a fazer esta liberdade acontecer. Foi para esclarecer a importância disso na nossa realidade social que Pedrinho Guareschi veio conversar com profissionais, estudantes e comunidade em geral, na sexta-feira 20 de maio, na UCS. O especialista foi trazido pelo CEPDH com apoio dos Cursos de Jornalismo e de Sociologia. Ele é um dos maiores pesquisadores do efeito da mídia nas relações sociais (como sinaliza seu currículo, no final deste texto). Esta matéria traz uma síntese da palestra, acrescida de informações complementares, necessárias à contextualização do tema.

Guareschi trouxe reflexões decisivas a partir do desdobramento de cada termo do título da palestra: "Comunicação democrática: o acesso à informação como direito humano". E explicitou como o eixo que perpassa todos esses conceitos é o da 'relação'.
















Foto: Ezequiel Milicich Seibel

"Humano"

Atualmente predominam três visões da realidade social (ou cosmovisões dentro das forças históricas contemporâneas): a individualista-liberal, a comunitário-solidária e a totalitário-massificadora. Cada uma delas tem conceitos de "ser humano" bem diferentes entre si. Na primeira, ser humano é apenas o indivíduo - ele e mais ninguém. Na segunda, ele é visto como uma pessoa em relação com outras. Assim, cada pessoa é resultado de suas relações com outras - não há como alguém existir ou se conceituar isoladamente. É a visão, entre outros, de (Santo) Agostinho e Marx: "o ser humano é resultado de suas relações", "um feixe de relações". Já conforme a terceira corrente, o ser humano é visto apenas como uma peça da máquina, do sistema.

"Direito"

Direito vem do Latim "Jus", que significa "justiça, justo". Ora, ninguém é justo sozinho. Justiça é ética - só pode se dar numa relação. Logo, para se pensar em Direitos Humanos, só se pensando em relações sociais.

"Comunicação"

O direito à comunicação, como deixa clara a Declaração Universal dos Direitos Humanos, abrange a liberdade de opinião e de expressão: inclui a liberdade de buscar, receber e difundir informação. O Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, de 1966, novamente no artigo 19, reafirma e detalha este direito e vai além da Declaração: estabelece verdadeiras obrigações aos Estados signatários.

"Democracia"

"É importante detalhar o que é mesmo democracia, porque em nome dela se fazem absurdos, como os Estados Unidos, que recentemente invadiram determinado país e lá mataram um homem, sem avisar a nenhuma autoridade do tal país", advertiu Guareschi, citando também como vergonhoso o discurso de Barack Obama no dia anterior ao da palestra: "parecia um rei do Universo, dizendo o que cada país deve fazer. Ora, isso não é democracia – democracia não se impõe!". Ao contrário disso, como pontuou o palestrante, a democracia de verdade faz acontecer a igualdade (todos são iguais quanto à dignidade fundamental), a diversidade, a participação (todos têm direito a ter voz e vez) e a solidariedade.

Democracia para a cidadania

democracia plena implica cidadania. Na experiência grega dos primórdios da democracia, "não era considerado cidadão o cara que apenas ia à praça assistir às reuniões, e sim, apenas os que se levantavam e falavam", esclarece Guareschi. Ou seja, cidadania é participação efetiva. E participação não só no planejamento e execução, mas também nos resultados. Para isso, o segredo é a participação no planejamento, porque é ali que se define a execução e os resultados, ou seja, quem vai fazer o que, e quem vai ficar com qual parte dos resultados. Quando todos efetivamente participam, sempre se encontra uma solução: "Nas tantas reuniões populares de que já participei, sempre que todos e todas falaram – mas todos e todas mesmo - , não houve nenhuma em que não se encontrou solução", testemunha Guareschi.














Foto: Ezequiel Milicich Seibel

Comunicação é serviço

Segundo o pesquisador, há tarefas urgentes da sociedade e dos profissionais em relação à comunicação:

• Resgatar a comunicação como serviço: comunicação não existe pra fazer dinheiro. É claro que ela tem de ser sustentável, precise de patrocinadores, mas eles não devem ser o eixo: comunicação é serviço público.

• Resgatar a comunicação como direito humano e cidadania: A mídia deve fazer a nova ágora (a praça grega onde os cidadãos dialogavam). Deve trazer os temas nacionais ao diálogo e dar espaço a que todos os envolvidos tenham a mesma oportunidade de se manifestar. Ela não tem de dar respostas, muito menos sua opinião. Sequer deve definir os temas a serem debatidos. O povo é quem tem de definir a pauta da mídia, e não o contrário, como acontece.

• Evoluir da democracia representativa para a democracia participativa: aqui, o duplo papel da comunicação: viabilizar a democracia representativa nos diversos temas da sociedade, e também ela própria se colocar em debate. Os Conselhos e Conferências (Municipais, Estaduais e Nacionais) de Comunicação são urgentes, ainda mais se há tanta força contrária.

• Potencializar as novas tecnologias como mídias de novos sujeitos de comunicação

"Precisamos de bons comunicadores. E um bom comunicador não precisa de muita tecnologia.
Precisa sim é de cuca, compromisso, tesão, solidariedade, empatia...
para pensar naqueles que estão tendo seus direitos violados."

Pedrinho Guareschi

97% da população brasileira não sabe que a mídia eletrônica 
(tv e rádio) não tem dono- é concessão pública! 
E por quê? Porque a mídia não discute a própria mídia

6 minutos – é a duração média de uma notícia na BBC de Londres. 
não pode terminar fechada, muito menos com a opinião do jornalista 

84% de tudo que ogaúcho vê, lê, escuta depende de uma só família 

grandes empresas ilegais: contrariando a própria Constituição, há grandes e centenas de empresas de rádio e tv cujos sócios ou dirigentes são políticos ou parentes de políticos


A difícil batalha pela regulamentação

A comunicação no Brasil é regida por apenas 5 artigos na Constituição (220 a 224), que até hoje não foram regulamentados. As tentativas disso têm sido sistematicamente sufocadas no Legislativo e na própria mídia. E por quê? Porque há grandes e centenas de empresas de rádio e tv cujos sócios ou dirigentes são políticos ou parentes de políticos - ilegalmente, porque isso nem é permitido pela Constituição. São centenas de políticos e centenas de emissoras (saiba mais em http://donosdamidia.com.br/inicial). A discussão sequer é trazida à opinião pública pela mídia. A 1ª Conferência Nacional de Comunicação foi realizada apenas em 2010, a muito custo. Nenhuma das grandes empresas participou, e as poucas que deram repercussão ao evento, o desmoralizaram.

Outro dos tantos itens pendentes dessa pauta, que afeta diretamente a valorização cultural do País e o mercado de trabalho do profissional: por que as emissoras de rádio e tv são dominadas por valores culturais internacionais e produções internacionais, em detrimento das nacionais e, mais ainda, das produções regionais e locais? Por que não cumprem a lei. O artigo 221 determina que as emissoras (rádio e tv) priorizem finalidades "educativas, artísticas, culturais e informativas", e que priorizem e incentivem a "produção cultural, artística e jornalística" da sua região, "conforme percentuais estabelecidos em lei". Estes percentuais ainda não foram estabelecidos – apesar de já haver projeto de lei para isso desde 1991 (PL 256, de 1991, da deputada Jandira Feghali).


"Jornalismo é subversão. Se não for, não é decisivo como jornalismo"

Após sua fala, o palestrante exibiu o documentário "Guerrilha midiática", produzido por Wladymir Ungaretti e oColetivo Catarse assista você também, aqui. O documentário mostra respiros por onde tenta acontecer a comunicação democrática, e a repressão que ela sofre, inclusive aqui no RS, por exemplo.

O vídeo relata o fenômeno recente (anos 2000) no norte do país – o Tecnobrega, que, "mais do que um estilo musical, é um mercado que criou novas formas de produção e distribuição", através da apropriação dos recursos tecnológicos pela periferia, como descreve um dos autores do livro homônimo.

E denuncia a censura articulada pela RBS ao saite Ponto de Vista, cujo editor paga R$ 150 de multa diária se criticar a Rede. "Não é RBS, é PRBS – Partido da RBS", deflagra o jornalista, cuja ação nada criminosa, mas censurada, é explicitar a subjetividade e a manipulação da notícia. O mau exemplo da RBS foi exemplificado também na plenária realizada logo após a exibição do vídeo: "Envio carta ao Jornal Pioneiro e ele não publica. O que fazer?", pergunta um cidadão. Uma das saídas para isso, como sugeriu o Coordenador do Curso de Jornalismo, é aproveitar e potencializar as tecnologias atuais: "Um celular traz hoje recursos pra você produzir e veicular uma notícia quase que instantaneamente". No entanto, esse acesso aos recursos tecnológicos em si não é a solução, como sublinha Ungaretti, no documentário: "Só haverá significativo avanço se isso estiver conectado aos movimentos sociais. Sem movimento social não criaremos mídia alternativa ou seja lá que nome a gente queira dar."


"Os novos revolucionários são imaginadores – eles produzem e manipulam imagens. (...) São fotógrafos, filmadores, gente de vídeo, gente de software, técnicos, programadores, críticos, teóricos e outros que colaboram com os produtores de imagens. Toda esta gente procura injetar valores, politizar as imagens."

Vilém Flusser, citado no
documentário Guerrilha Midiática  



"A câmera na mão de quem corre e apanhaé a arma de defesa. Seu grito ecoa pela rede horas após a repressão.


É a contrainformaçãodo que a mídia corporativa vai mentirsobre o que está acontecendo."


Wladymir Ungaretti,
no documentárioGuerrilha Midiática


"Jornalismo é subversão. Se não for subversão, não é decisivo como jornalismo. Jornalismo é a capacidade de distinguir diferenças onde aparentemente só há semelhanças, e semelhanças onde aparentemente só há diferenças. E isso é uma prática subversiva, sempre." 

Wladymir Ungaretti, no documentário Guerrilha Midiática 

O Movimento pela Democratização 
da Comunicação 

é hoje um trabalho de diversos coletivos pela efetivação da comunicação como direito humano (e portanto, de todos/as) e como instrumento de democratização da sociedade. "Uma sociedade só pode ser chamada de democrática quando as diversas vozes, opiniões e culturas que a compõem têm espaço para se manifestar" (Intervozes).

A batalha é complexa, mas os principais eixos são: 
• Criar um marco regulatório: regulamentação legal e política do setor da comunicação, com participação de todos os setores da sociedade 
• Capacitar os cidadãos para a apreensão crítica dos meios de comunicação (compreensão da linguagem e dos artifícios empregados) 
• Criar instrumentos de controle social/público sobre os meios de comunicação de massa (processo não censório) 
• Estimular a produção e difusão nacional e regional, e de conteúdos plurais e diversos 
• Fortalecer a comunicação popular, comunitária, independente, alternativa e livre


Saiba mais:

Guerrilha Midiática - documentário
"Os jornalistas têm uma importância crucial na sociedade. Da comunicação, hoje, depende a democracia. Mas se o jornalista apenas pensar: 'vou ser um bom empregado', ele nunca vai fazer o seu papel."
Alguns livros do Guareschi:
- Mídia e democracia
- Comunicação e controle social
- Comunicação e poder: a presença e o papel dos meios de comunicação de massa estrangeiros na América Latina
- Mídia, educação e cidadania
- Sociologia crítica: alternativas de mudança
- Sociologia da prática social
- Psicologia social crítica como prática de libertação
- A máquina capitalista
Observatório da Imprensa – Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Donos da Mídia: o mapa da comunicação social no Brasil
FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da música. Livro do advogado Ronaldo Lemos e da jornalista Oona Castro. Fruto do projeto Modelos de Negócios Abertos – América Latina, coordenado pela Fundação Getúlio Vargas (Centro de Tecnologia e Sociedade) em parceria com o Instituto Overmundo, traz respostas à crise da indústria cultural que respeitam a diversidade e as culturas locais. Coleção Tramas Urbanas, Aeroplano Editora. Patrocinado pela Petrobrás. http://www.cepdh.blogspot.com/, e sobre o Movimento Nacional em http://www.mndh.org.br/.Download livre aqui.

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O palestrante: Pedrinho Guareschi é Graduado em Filosofia, Teologia e Letras, Pós-Graduado em Sociologia, Mestre e Doutor em Psicologia Social. Pós-Doutor em Ciências Sociais em duas universidades (Wisconsin e Cambridge). Professor convidado da UFRGS e da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre) e conferencista internacional. Seus estudos, pesquisas e experiência centram-se na Psicologia Social, com ênfase em mídia, ideologia, representações sociais, ética, comunicação e educação.

A palestra foi promovida pelo CEPDH. Integraram a mesa o Pe. Gilnei Fronza e o Pe. Roque Grazziotin (este, também presidente da FUCS), o professor Winkler, do Curso de Licenciatura em Sociologia, e o professor Álvaro, Coordenador do Curso de Jornalismo, parceiros promotores do evento, além da deputada Marisa Formolo.

O ciclo. A palestra é a segunda de uma série que está sendo promovida pelo Centro ao longo de 2011, abordando vários temas referentes ao Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3). A primeira foi "Direitos Ambientais como Direitos Humanos: o agronegócio e suas consequências para os alimentos e o meio-ambiente", em maio.

O CEPDH tem abrangência regional, é sediado em Caxias do Sul e tem 27 anos. É filiado ao filiado ao MNDH – Movimento Nacional dos Direitos Humanos. O MNDH fundamenta sua ação na Luta pela vida, contra a violência. O CEPDH foi criado a partir da análise do Mundo do Trabalho e suas conseqüências para a realidade regional, para dar suporte à defesa e formação dos trabalhadores, principalmente nas áreas do Direito, Saúde e Assistência Social. Mais sobre o Centro em http://www.cepdh.blogspot.com/ e sobre o Movimento Nacional em http://www.mndh.org.br/

19.1.18

Celso Amorim: 'acusações a Lula são muito frágeis'

Celso Amorim: 'acusações a Lula são muito frágeis'

Segundo o chefe da política externa brasileira durante boa parte dos governos petistas, uma proscrição de Lula nas próximas eleições presidenciais teria 'graves consequências' no Brasil e também no resto da América Latina

 
15/01/2018 15:14


Por Dario Pignotti, para o Página/12, direto de Brasília

"Se Lula for impedido de ser candidato estaremos diante de um fato que terá graves consequências no Brasil, e que possivelmente terá repercussão além das nossas fronteiras- Seria uma forma de agressão à democracia na América Latina". Para o ex-chanceler Celso Amorim, o próximo 24 de janeiro, quando um tribunal de segunda instância decidirá o destino de Luiz Inácio Lula da Silva, começará a se desenhar um novo panorama político de uma região que terá seis eleições presidenciais neste 2018, uma delas no próprio Brasil.

"No caso de que o Tribunal Regional Federal 4 (TRF-4) tire Lula da disputa, o Brasil estará enviando um sinal negativo, sendo um país com um peso indiscutível, que repercute, para o bem e para o mal, nos países vizinhos", pondera Amorim, o iniciar esta entrevista telefônica com o Página/12 na que analisou as "coincidências" entre o comportamento de vários juízes brasileiros e os interesses dos Estados Unidos revelados em documentos de inteligência vazados há alguns anos por Edward Snowden.

O futuro do ex-mandatário está nas mãos dos três desembargadores do TRF-4 de Porto Alegre, que deverão se pronunciar sobre a condenação de 9 anos e meio de prisão ditada pelo juiz de primeira instância Sérgio Moro. "Não quero fazer generalizações simplistas mas considero que Moro e outros magistrados estão usando seus cargos para perseguir dirigentes progressistas, entendo que isso também acontece na Argentina".

No caso de que o TRF-4 ratifique a sentença, algo bastante provável, Lula corre o risco de ficar de fora das eleições de outubro, para a qual as pesquisas o apontam como maior favorito, dobrando as intenções de votos dos seus principais adversários, incluindo o militar retirado Jair Bolsonaro, que aparece em segundo lugar.

"Batalha" foi uma das palavras mais usadas pelo ex-chefe da política externa de Lula ao se referir às disputas nos campos político e diplomático para restabelecer a democracia. Como parte desse combate, Amorim lançou, junto a um grupo de intelectuais, o manifesto "Eleição sem Lula é Fraude".

Página/12 – Para a opinião pública internacional, Lula é culpado ou inocente?


Celso Amorim – Creio que muitas pessoas bem informadas de todo o mundo estão perplexas com o que acontece no Brasil, percebem que as acusações a Lula são muito frágeis. Que o promotor encarregado da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, ao não ter provas, acusou Lula baseado em "convicções". Posteriormente, o juiz Moro elaborou uma condenação igualmente frágil do ponto de visto jurídico, já que admite carecer de provas que relacionem Lula com a compra do apartamento que seria produto de uma manobra dolosa. No resto do mundo, estão compreendendo que este processo está cheio de arbitrariedades, que foi instrumentado para impedir que o povo eleja livremente o seu presidente nas eleições de outubro. O que está em jogo é a democracia, no Brasil se substituiu o golpe militar clássico dos Anos 60 e 70 por um golpe judicial-midiático. Estamos vendo o julgamento de 24 de janeiro dentro de um contexto maior, no qual há uma espécie de rolo-compressor da mídia e da Justiça, que parece pretender acabar com a política, e especialmente com a política progressista.

Página/12 – É possível que a pressão internacional influa nos desembargadores de Porto Alegre?


Celso Amorim – Não poderia dar uma resposta sobre como se comportarão os desembargadores, isso seria especular demais. Creio que eles vêm tomando conhecimento do apoio que teve o manifesto "Eleição sem Lula é Fraude". Quando lançamos, eu esperava reunir até 4 mil assinaturas, e de repente vejo que isso se transforma num sucesso, uma adesão impressionante que consegue assinaturas de até cem países. Já estamos próximos das 170 mil, incluindo a de ex-presidentes como Cristina Fernández, José Mujica, Rafael Correa e Ernesto Samper, além do prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, o linguista norte-americano Noam Chomsky, o italiano Massimo D´Alema que é um personagem emblemático da esquerda democrática, o ex-presidente chileno Ricardo Lagos não assinou mas apoiou Lula nas redes sociais. A batalha do momento é a batalha pela democracia, e isso foi visto também por outros potenciais candidatos presidenciais no Brasil, possíveis adversários de Lula, como Manuela D´Ávila (do PC do Ba) e Aldo Rebelo (do PSB) que assinaram a petição.


Fora do Brasil, o país que deu mais apoio foi a Argentina, que já nos deu quase 17 mil assinaturas, e esperamos que continuem chegando mais, é um manifesto aberto a todos os cidadãos.


Página/12 – Paralelamente a isso, existe a causa aberta por Lula na ONU.


Celso Amorim – A ONU é uma organização muito ampla. Esse processo está sendo avaliado pelo Conselho de Direitos Humanos, e é seguido pelo advogado Geoffrey Robertson, reconhecido internacionalmente e que está relacionado com a falta de respeito às garantias de Lula. Não estou trabalhando neste tema diretamente, então não posso dar detalhes, mas entendo que o nosso manifesto pode ter algum tipo de impacto na ONU, porque teve apoio de pessoas respeitadas, e não podemos esquecer que o julgamento na ONU é jurídico e político.


Página/12 – O ano político brasileiro se iniciará dentro de duas semanas, com a decisão do TRF-4, e terminará em outubro ou novembro, durante as eleições. Se Lula for mesmo candidato e vencer, que consequências isso traria para a região?


Celso Amorim – Seria uma mudança geopolítica de grandes consequências. Há muitas coincidências entre os acontecimentos vistos em vários países da região, onde parece haver uma sintonia entre o poder econômico, grupos de inteligência, alguns juízes e meios de comunicação. O contágio de uma nova onda progressista pode ser similar ao que ocorreu nos Anos 80, quando a Argentina recuperou a democracia e isso impactou na transição brasileira. Se Lula retorna, isso pode ser benéfico para a Argentina, e aproveito este momento para expressar minha solidariedade com a presidenta Cristina Fernández de Kirchner, que também é vítima de uma série de perseguições, e ao meu amigo e ex-chanceler Héctor Timerman. Se Lula vence em outubro, e o México elege Andrés Manuel López Obrador (em julho), estaríamos falando de dois líderes progressistas em países com muito peso, essa possível onda progressista pode estar preocupando muito eles neste momento.


Página/12 – "Eles" seriam os Estados Unidos?


Celso Amorim – Não quero aderir automaticamente a interpretações conspirativas, mas tampouco podemos descartá-las. Por exemplo, vemos muitas coincidências que estão amplamente demonstradas, pelos documentos da NSA revelados por Edward Snowden mostrando que o alvo dos ataques era a presidenta Dilma Rousseff e a Petrobras. Os grampos ilegais do juiz Moro às conversas telefônicas de Dilma e Lula (em março de 2016) ao parecer contaram com apoio tecnológico de fora. São muitas coincidências. O golpe contra Dilma também foi um golpe geopolítico e geoeconômico, e os grupos que estiveram por trás desse plano são os que agora não querem que Lula volte. Não querem a Unasul, nem o Conselho de Defesa da Unasul, a CELAC. Não aceitam uma política externa que defenda a soberania.


Página/12 – Como definir a política externa de Michel Temer?


Celso Amorim – Eu diria que "soberania" é uma palavra esquecida pelo governo brasileiro, este é um dos aspectos mais característicos.
Isso se vê, por exemplo, na política para a Amazônia, ou no início das negociações para a venta da Embraer à Boeing, na política para a Petrobras, que já não é uma empresa a serviço do desenvolvimento do Brasil, suas novas autoridades só se preocupam pelo balanço de suas contas. Estão desmontando o sistema elétrico, estão desmontando o BNDES.


Página/12 – Donald Trump ameaçou atacar a Venezuela. É uma hipótese plausível?


Celso Amorim – Foi a primeira vez, desde a crise dos mísseis em Cuba de 1962, que um presidente norte-americano ameaça usar a força contra um país latino-americano, e isso deveria ser móvito para uma reunião da CELAC, mas ninguém a convoca porque nossos países estão sendo mais dóceis em sua relação com os Estados Unidos. Sobre a sua pergunta, eu diria que duvido muito que Trump use a força, mas suas declarações foram um estímulo perigoso para que outros sigam a via violenta contra a Venezuela. O preocupante deste caso é que a política externa brasileira afirma abertamente que "tem que tomar partido" a favor da oposição venezuelana, em vez de atuar como agente facilitador do diálogo entre as partes. Voltando a Trump, a verdade é que o presidente norte-americano não tem nenhum projeto definido, é a primeira vez desde a II Guerra Mundial que os Estados Unidos não têm um projeto mundial. Sempre tiveram, e muitas vezes estiveram equivocados, como na Guerra do Vietnã, mas ao menos havia uma linha. A falta desse programa por parte dos Estados Unidos é o que desencadeia a explosão de forças de direita, o racismo, a hostilidade para com os latinos, e agora contra os imigrantes salvadorenhos, além da ideia da construção de um muro entre esse país e o México.

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16.1.18

"todo o Poder Judiciário está também agindo politicamente contra o PT e Lula"

Será Lula afinal condenado?

O processo que condenou Lula foi político; o ex-presidente foi condenado por um crime que não existiu (ter comprado por preço abaixo do mercado um apartamento que efetivamente não comprou) e ter dado em troca à empresa proprietária do apartamento vantagens que ninguém sabe quais foram. O juiz Moro e sua força-tarefa de procuradores federais cometeu esse erro jurídico porque sua estratégia inicial de legitimar politicamente a operação Lava Jato foi a de inculpar o PT, que já estava envolvido na corrupção desde o Mensalão, e Lula. Afinal a operação atingiu também os demais partidos, principalmente o PMDB e o PSDB, mas a justiça de Curitiba se sentiu obrigada a levar adiante sua estratégia inicial e condenaram Lula.

É compreensível, portanto, que o PT e, mais amplamente, os democratas protestem contra a condenação, que assinem manifesto de protesto (eu assinei), e que organizem grande manifestação em Porto Alegre para deixar claro o caráter político da condenação.

Entretanto, há um pressuposto em todo esse processo que não é aceitável: o pressuposto que Lula será condenado pelo tribunal de segunda instância. Esse pressuposto supõe que não apenas a justiça de Curitiba, mas todo o Poder Judiciário está também agindo politicamente contra o PT e Lula. Isto não faz sentido. Nesta grande crise política em que o Brasil está mergulhado, o Judiciário nem sempre acerta, mas continua a ser, de longe, o melhor dos três poderes. E merece respeito. É sabido que o tribunal de Porto Alegre tem confirmado todas as sentenças do juiz Moro, mas não houve nenhuma condenação de caráter tão obviamente político quanto a que Lula sofreu.

Vamos afirmar em alto e bom som nosso protesto contra a condenação de Lula; vamos dizer que eleições presidenciais sem Lula é fraude; mas não devemos apostar na condenação. Ao invés, nossa aposta deve ser na justiça como valor e na Justiça como poder.





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Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz